Matemática, Ano 8

Equações do segundo grau: fórmulas, discriminante e resolução

Mascote matemático no quadro com uma equação do segundo grau, a fórmula do discriminante e a fórmula de Bhaskara

Uma equação do segundo grau é uma equação da forma \(ax^2 + bx + c = 0\), onde \(a \neq 0\). O número de raízes é determinado pelo discriminante \(D = b^2 - 4ac\), e as raízes são encontradas pela fórmula \(x_{1,2} = \dfrac{-b \pm \sqrt{D}}{2a}\). Esta página reúne tudo sobre o tema: forma padrão e coeficientes, três tipos de equações incompletas, discriminante e seus três casos, fórmula de Bhaskara e sua variante para coeficientes pares, equação reduzida e relações de Girard, fatoração e equações biquadradas — com exemplos passo a passo, análise de erros comuns e um simulador interativo.

O que é uma equação do segundo grau

Equação do segundo grau é uma equação da forma

\[ax^2 + bx + c = 0,\]

onde \(x\) é a incógnita, e \(a\), \(b\), \(c\) são números (coeficientes), com \(a \neq 0\). Esta escrita é chamada de forma padrão da equação do segundo grau: os termos estão ordenados por grau decrescente à esquerda e zero à direita.

A condição \(a \neq 0\) não é apenas uma formalidade. É o termo \(ax^2\) que torna a equação quadrática: se \(a = 0\), resta \(bx + c = 0\), que é uma equação linear simples com apenas uma raiz. Por isso, em problemas com parâmetros, a primeira coisa a verificar é se o coeficiente principal não se anula.

É quase sempre possível colocar uma equação na forma padrão: basta expandir parênteses, mover todos os termos para o lado esquerdo e combinar os termos semelhantes. Por exemplo, \(5x^2 = 3x - 2\) torna-se \(5x^2 - 3x + 2 = 0\) após a transposição, onde \(a = 5\), \(b = -3\), \(c = 2\). O termo "equação quadrática" significa exatamente a mesma coisa — é apenas outro nome para o mesmo conceito.

ax2 + bx + c = 0
a
Coeficiente principal — multiplicador de x2. Sempre a ≠ 0: se a = 0, a equação torna-se linear.
b
Segundo coeficiente — multiplicador de x. Pode ser qualquer valor, inclusive zero ou negativo.
c
Termo independente — termo sem x. Também pode ser zero.
Os sinais fazem parte dos coeficientes: em x2 − 4x − 5 = 0, temos a = 1, b = −4, c = −5. Se a = 1, a equação é chamada de reduzida e escrita como x2 + px + q = 0.

Equações do segundo grau completas e incompletas

Se todos os três coeficientes forem diferentes de zero, a equação é chamada de completa. Se \(b\) ou \(c\) (ou ambos) forem iguais a zero, ela é incompleta. Existem exatamente três tipos de equações incompletas, e nenhuma delas requer o uso do discriminante: cada uma é resolvida em uma ou duas linhas, sendo a maneira mais rápida de economizar tempo em provas.

A ideia chave para \(ax^2 + bx = 0\) é colocar o termo comum em evidência. O produto \(x(ax + b)\) é igual a zero se, e somente se, pelo menos um dos fatores for zero, o que nos dá duas raízes imediatamente. Para \(ax^2 + c = 0\), a ideia é diferente: isolar \(x^2\) e observar o sinal do número resultante — o quadrado de um número real nunca é negativo.

Tipo de equaçãoComo resolver
ax2 + c = 02x2 − 50 = 0 Mova c para a direita e divida por a: x2 = −c/a. Extraia a raiz, sem esquecer o sinal duplo.x = 5 e x = −5
ax2 + bx = 0x2 + 7x = 0 Coloque x em evidência: x(ax + b) = 0. O produto é zero quando um dos fatores é zero.x = 0 e x = −7
ax2 = 09x2 = 0 Divida por a e extraia a raiz de zero. A raiz é sempre única.x = 0
Na primeira linha, pode não haver raízes: se −c/a for negativo, o quadrado de um número real não pode ser igual a um número negativo.

Discriminante: como encontrar e quantas raízes existem

O discriminante é um número calculado a partir dos coeficientes de uma equação completa:

\[D = b^2 - 4ac.\]

A própria palavra significa "o que distingue": o discriminante não resolve a equação por si só, ele apenas distingue três situações — duas raízes, uma raiz ou nenhuma raiz. Portanto, a pergunta "quantas raízes tem a equação" é resolvida sem encontrar as raízes em si.

Calcular \(D\) requer cuidado: \(b^2\) é sempre positivo, mesmo que \(b\) seja negativo, e os sinais de \(a\) e \(c\) entram no produto \(4ac\) como são. Tomemos \(x^2 + 4x - 5 = 0\): aqui \(a = 1\), \(b = 4\), \(c = -5\), então \(D = 4^2 - 4 \cdot 1 \cdot (-5) = 16 + 20 = 36\). O discriminante é positivo, logo haverá duas raízes.

D = b2 − 4ac
D > 0
Duas raízes distintas
x1,2 = (−b ± √D) / 2a
D = 0
Uma raiz única
x = −b / 2a
D < 0
Sem raízes reais
Não é possível extrair a raiz quadrada de um número negativo.

Fórmula de Bhaskara para equações do segundo grau

Quando \(D \ge 0\), as raízes são encontradas pela fórmula principal do tema:

\[x_{1,2} = \frac{-b \pm \sqrt{D}}{2a} = \frac{-b \pm \sqrt{b^2 - 4ac}}{2a}.\]

O sinal \(\pm\) significa dois cálculos: um com adição e outro com subtração. Quando \(D = 0\), ambos os cálculos resultam no mesmo número \(x = -\dfrac{b}{2a}\) — esta raiz é chamada de raiz dupla.

Dois pontos onde ocorrem erros frequentes: no numerador temos o oposto de \(b\) (para \(b = -7\), isso resulta em \(+7\)), e no denominador temos \(2a\), não apenas \(2\). Quando \(a = 1\), a diferença não é visível, por isso o erro aparece justamente quando o coeficiente principal é diferente de um.

Vamos resolver \(2x^2 - 9x - 5 = 0\): \(D = (-9)^2 - 4 \cdot 2 \cdot (-5) = 81 + 40 = 121\), \(\sqrt{D} = 11\), portanto \(x_1 = \dfrac{9 + 11}{4} = 5\) e \(x_2 = \dfrac{9 - 11}{4} = -0{,}5\).

1
Colocar na forma padrão
expandir parênteses, mover tudo para a esquerda e combinar termos: ax2 + bx + c = 0
2
Identificar a, b, c com seus sinais
o sinal antes do termo faz parte do coeficiente
3
Calcular o discriminante
D = b2 − 4ac — o quadrado de b é sempre positivo
4
Comparar D com zero e encontrar raízes
x1,2 = (−b ± √D) / 2a; se D = 0, uma raiz; se D < 0, sem raízes
5
Verificar por substituição
substituir cada raiz na equação original — deve resultar em 0 = 0

Segundo coeficiente par: fórmula com D₁

Se \(b\) for um número par, é conveniente escrevê-lo como \(b = 2k\) e calcular o discriminante "reduzido":

\[D_1 = k^2 - ac, \qquad x_{1,2} = \frac{-k \pm \sqrt{D_1}}{a}.\]

Os números nos cálculos tornam-se quatro vezes menores (\(D = 4D_1\)), e o sinal de \(D_1\) é o mesmo de \(D\) — portanto, a conclusão sobre o número de raízes não muda.

Exemplo: \(3x^2 + 8x - 3 = 0\). Aqui \(b = 8\), logo \(k = 4\), e \(D_1 = 4^2 - 3 \cdot (-3) = 16 + 9 = 25\), \(\sqrt{D_1} = 5\). Então \(x_1 = \dfrac{-4 + 5}{3} = \dfrac{1}{3}\) e \(x_2 = \dfrac{-4 - 5}{3} = -3\). Pela fórmula comum, teríamos que trabalhar com \(D = 100\) — o resultado é o mesmo, mas com mais aritmética.

Equação reduzida e relações de Girard

Uma equação com \(a = 1\) é chamada de reduzida e escrita como \(x^2 + px + q = 0\). Qualquer equação do segundo grau pode ser reduzida a essa forma dividindo-a por \(a\): por exemplo, \(4x^2 - 12x + 8 = 0\) torna-se \(x^2 - 3x + 2 = 0\) após dividir por 4.

A forma reduzida é valiosa porque nela aplicamos as relações de Girard: a soma das raízes é igual a \(-p\) e o produto é igual a \(q\). Para \(x^2 - 7x + 10 = 0\), precisamos de dois números cuja soma seja 7 e o produto seja 10 — esses números são 2 e 5, e não foi necessário calcular o discriminante.

A tentativa por Girard ajuda quando as raízes são inteiras e pequenas, e também serve para verificar gratuitamente a resposta encontrada via discriminante: a soma deve dar \(-p\) e o produto \(q\). As fórmulas para o caso geral, o teorema recíproco e o algoritmo de busca são discutidos em um material separado — relações de Girard.

Fatoração de trinômios do segundo grau

Se as raízes \(x_1\) e \(x_2\) forem encontradas, o trinômio do segundo grau pode ser fatorado:

\[ax^2 + bx + c = a(x - x_1)(x - x_2).\]

O fator \(a\) não pode ser esquecido — sem ele, a igualdade deixa de ser verdadeira. Verificar a fatoração é sempre fácil: basta expandir os parênteses e comparar com o trinômio original. Por exemplo, em \(x^2 + 2x - 8\), as raízes são 2 e \(-4\), portanto \(x^2 + 2x - 8 = (x - 2)(x + 4)\).

O caminho inverso também funciona: se o trinômio puder ser fatorado mentalmente, as raízes são vistas imediatamente e o discriminante não é necessário. Aqui, as fórmulas de produtos notáveis ajudam — por exemplo, \(x^2 - 16 = (x - 4)(x + 4)\) nos dá as raízes \(4\) e \(-4\) instantaneamente.

Um terceiro método para evitar a fórmula de Bhaskara é completar quadrados. Em \(x^2 + 6x + 5 = 0\), os dois primeiros termos são completados para formar um quadrado perfeito: \((x + 3)^2 - 9 + 5 = 0\), ou seja, \((x + 3)^2 = 4\), de onde \(x + 3 = \pm 2\), resultando em \(x = -1\) ou \(x = -5\). É exatamente esse método que deriva a fórmula de Bhaskara na forma geral.

Equações redutíveis ao segundo grau: biquadradas

Uma equação biquadrada tem a forma \(ax^4 + bx^2 + c = 0\): apenas potências pares. Ela é resolvida por substituição \(t = x^2\), com a condição obrigatória \(t \ge 0\) — o quadrado de um número real nunca é negativo.

Após a substituição, obtemos uma equação do segundo grau comum \(at^2 + bt + c = 0\). Resolvemos com o discriminante e, para cada raiz não negativa \(t\), voltamos para \(x = \pm\sqrt{t}\). Daí o número de raízes: até quatro.

Por exemplo, \(x^4 - 5x^2 + 4 = 0\) após a substituição resulta em \(t^2 - 5t + 4 = 0\) com raízes \(t = 1\) e \(t = 4\). Ambas são positivas, portanto \(x = \pm 1\) e \(x = \pm 2\) — totalizando quatro raízes. Se um dos valores de \(t\) fosse negativo, ele seria simplesmente descartado.

O mesmo método resolve equações fracionárias (após reduzir ao mesmo denominador e descartar valores proibidos) e equações com substituições como \(t = x^2 + 3x\).

Exemplos de resolução de equações do segundo grau

Exemplo 1. Equação completa, D > 0

Resolver \(3x^2 - 7x + 2 = 0\).

Passo 1. A equação já está na forma padrão: \(a = 3\), \(b = -7\), \(c = 2\).

Passo 2. \(D = (-7)^2 - 4 \cdot 3 \cdot 2 = 49 - 24 = 25 > 0\) — duas raízes.

Passo 3. \(\sqrt{D} = 5\), portanto \(x_{1,2} = \dfrac{7 \pm 5}{6}\): \(x_1 = \dfrac{12}{6} = 2\), \(x_2 = \dfrac{2}{6} = \dfrac{1}{3}\).

Passo 4. Verificação por substituição. \(3 \cdot 2^2 - 7 \cdot 2 + 2 = 12 - 14 + 2 = 0\); \(3 \cdot \left(\tfrac{1}{3}\right)^2 - 7 \cdot \tfrac{1}{3} + 2 = \tfrac{1}{3} - \tfrac{7}{3} + 2 = 0\).

Resposta: \(x_1 = 2\), \(x_2 = \dfrac{1}{3}\).

Exemplo 2. Discriminante igual a zero

Resolver \(4x^2 - 12x + 9 = 0\).

Passo 1. \(a = 4\), \(b = -12\), \(c = 9\).

Passo 2. \(D = (-12)^2 - 4 \cdot 4 \cdot 9 = 144 - 144 = 0\) — uma raiz.

Passo 3. \(x = -\dfrac{b}{2a} = \dfrac{12}{8} = 1{,}5\).

Passo 4. Verificação. \(4 \cdot 1{,}5^2 - 12 \cdot 1{,}5 + 9 = 9 - 18 + 9 = 0\).

Resposta: \(x = 1{,}5\). Note: o lado esquerdo é um quadrado perfeito \((2x - 3)^2\), por isso a raiz é única.

Exemplo 3. Discriminante negativo

Resolver \(2x^2 + 3x + 5 = 0\).

Passo 1. \(a = 2\), \(b = 3\), \(c = 5\).

Passo 2. \(D = 3^2 - 4 \cdot 2 \cdot 5 = 9 - 40 = -31 < 0\).

Passo 3. O discriminante é negativo, logo não é possível extrair \(\sqrt{D}\) entre os números reais. Não é necessário aplicar a fórmula de Bhaskara — a resolução termina aqui.

Resposta: não há raízes reais. Esta é uma resposta completa, não um sinal de erro: o gráfico da função \(y = 2x^2 + 3x + 5\) simplesmente não cruza o eixo \(x\).

Exemplo 4. Equação incompleta do tipo ax² + c = 0

Resolver \(3x^2 - 27 = 0\).

Passo 1. Movemos o termo independente: \(3x^2 = 27\).

Passo 2. Dividimos por 3: \(x^2 = 9\).

Passo 3. O quadrado é 9 para dois números: \(x = 3\) e \(x = -3\). O sinal duplo é o que mais se esquece.

Passo 4. Verificação. \(3 \cdot 3^2 - 27 = 0\); \(3 \cdot (-3)^2 - 27 = 27 - 27 = 0\).

Resposta: \(x_1 = 3\), \(x_2 = -3\). Compare com a equação \(2x^2 + 8 = 0\): lá \(x^2 = -4\), e não há raízes reais.

Exemplo 5. Equação incompleta do tipo ax² + bx = 0

Resolver \(5x^2 - 15x = 0\).

Passo 1. Colocamos o fator comum em evidência: \(5x(x - 3) = 0\).

Passo 2. O produto é zero quando um dos fatores é zero: \(5x = 0\) ou \(x - 3 = 0\).

Passo 3. Daqui, \(x_1 = 0\), \(x_2 = 3\).

Passo 4. Verificação. \(5 \cdot 0^2 - 15 \cdot 0 = 0\); \(5 \cdot 3^2 - 15 \cdot 3 = 45 - 45 = 0\).

Resposta: \(x_1 = 0\), \(x_2 = 3\). Se simplificarmos a equação original por \(x\), restará apenas \(x = 3\) — a raiz \(x = 0\) será perdida. Não se pode dividir por uma expressão com incógnita.

Exemplo 6. Segundo coeficiente par

Resolver \(5x^2 - 22x + 8 = 0\).

Passo 1. \(b = -22\) — é par, portanto \(k = -11\), \(a = 5\), \(c = 8\).

Passo 2. \(D_1 = k^2 - ac = (-11)^2 - 5 \cdot 8 = 121 - 40 = 81\), \(\sqrt{D_1} = 9\).

Passo 3. \(x_{1,2} = \dfrac{-k \pm \sqrt{D_1}}{a} = \dfrac{11 \pm 9}{5}\): \(x_1 = 4\), \(x_2 = \dfrac{2}{5} = 0{,}4\).

Passo 4. Verificação. \(5 \cdot 4^2 - 22 \cdot 4 + 8 = 80 - 88 + 8 = 0\); \(5 \cdot 0{,}4^2 - 22 \cdot 0{,}4 + 8 = 0{,}8 - 8{,}8 + 8 = 0\).

Resposta: \(x_1 = 4\), \(x_2 = 0{,}4\). O discriminante comum daria \(D = 324\) — a mesma resposta, mas levaria mais tempo para calcular.

Exemplo 7. Primeiro colocar na forma padrão

Resolver \((x - 3)(x + 5) = 9\).

Passo 1. Expandimos os parênteses: \(x^2 + 5x - 3x - 15 = 9\), ou seja, \(x^2 + 2x - 15 = 9\).

Passo 2. Movemos o nove para a esquerda: \(x^2 + 2x - 24 = 0\). Só agora podemos identificar os coeficientes: \(a = 1\), \(b = 2\), \(c = -24\).

Passo 3. \(D = 2^2 - 4 \cdot 1 \cdot (-24) = 4 + 96 = 100\), \(\sqrt{D} = 10\), \(x_{1,2} = \dfrac{-2 \pm 10}{2}\): \(x_1 = 4\), \(x_2 = -6\).

Passo 4. Verificação na equação original. \((4 - 3)(4 + 5) = 1 \cdot 9 = 9\); \((-6 - 3)(-6 + 5) = (-9) \cdot (-1) = 9\).

Resposta: \(x_1 = 4\), \(x_2 = -6\). Um erro comum aqui é igualar cada parêntese a 9: a regra "o produto é zero" só funciona para zero.

Exemplo 8. Fatoração de trinômios

Fatorar \(2x^2 - 5x - 3\).

Passo 1. Igualamos o trinômio a zero e encontramos as raízes: \(D = (-5)^2 - 4 \cdot 2 \cdot (-3) = 25 + 24 = 49\), \(\sqrt{D} = 7\), \(x_{1,2} = \dfrac{5 \pm 7}{4}\): \(x_1 = 3\), \(x_2 = -\dfrac{1}{2}\).

Passo 2. Substituímos na fórmula \(a(x - x_1)(x - x_2)\): \(2(x - 3)\left(x + \tfrac{1}{2}\right)\).

Passo 3. É conveniente distribuir o dois no segundo parêntese: \((x - 3)(2x + 1)\).

Passo 4. Verificação expandindo. \((x - 3)(2x + 1) = 2x^2 + x - 6x - 3 = 2x^2 - 5x - 3\).

Resposta: \(2x^2 - 5x - 3 = (x - 3)(2x + 1)\).

Exemplo 9. Equação biquadrada

Resolver \(x^4 - 13x^2 + 36 = 0\).

Passo 1. Substituição \(t = x^2\), onde \(t \ge 0\). A equação torna-se \(t^2 - 13t + 36 = 0\).

Passo 2. \(D = (-13)^2 - 4 \cdot 36 = 169 - 144 = 25\), \(\sqrt{D} = 5\), \(t_{1,2} = \dfrac{13 \pm 5}{2}\): \(t_1 = 9\), \(t_2 = 4\).

Passo 3. Ambos os valores são não negativos, então voltamos para \(x\): de \(x^2 = 9\) obtemos \(x = \pm 3\), de \(x^2 = 4\)\(x = \pm 2\).

Passo 4. Verificação. \(3^4 - 13 \cdot 3^2 + 36 = 81 - 117 + 36 = 0\); \(2^4 - 13 \cdot 2^2 + 36 = 16 - 52 + 36 = 0\). Para valores negativos, potências pares dão os mesmos números.

Resposta: \(x = \pm 2\) e \(x = \pm 3\) — quatro raízes.

Erros comuns ao resolver equações do segundo grau

  • Calcular o discriminante sem colocar a equação na forma padrão: para $2x^2 + 3x = x^2 + 5$, tomam logo $a = 2$, $b = 3$, $c = 0$.

    Primeiro, mova tudo para a esquerda e combine termos: \(2x^2 + 3x - x^2 - 5 = 0\), ou seja, \(x^2 + 3x - 5 = 0\). Só então \(a = 1\), \(b = 3\), \(c = -5\). A fórmula de Bhaskara funciona exclusivamente com a forma padrão.

  • Perder o sinal ao elevar $b$ ao quadrado: para $x^2 - 9x + 14 = 0$, escrevem $D = -81 - 56$.

    O quadrado de qualquer número é não negativo: \((-9)^2 = 81\), não \(-81\). O correto é \(D = 81 - 56 = 25\), raízes \(x = \dfrac{9 \pm 5}{2}\), ou seja, 7 e 2. Verificação: \(49 - 63 + 14 = 0\) e \(4 - 18 + 14 = 0\).

  • Deixar $b$ no numerador em vez de $-b$: para $x^2 + 5x - 6 = 0$, calculam $x = \dfrac{5 \pm 7}{2}$.

    A fórmula contém \(-b\), portanto, para \(b = 5\), no numerador teremos \(-5\): \(x = \dfrac{-5 \pm 7}{2}\), de onde \(x_1 = 1\), \(x_2 = -6\). A substituição confirma: \(1 + 5 - 6 = 0\) e \(36 - 30 - 6 = 0\).

  • Quando $D = 0$, escrevem «sem raízes»: em $x^2 + 14x + 49 = 0$, o discriminante é zero e interrompem a resolução.

    Não há raízes apenas quando \(D < 0\). Quando \(D = 0\), há exatamente uma raiz: \(x = -\dfrac{b}{2a} = -\dfrac{14}{2} = -7\). Verificação: \(49 - 98 + 49 = 0\).

  • Simplificar a equação $4x^2 - 9x = 0$ por $x$ e obter a única raiz $x = 2{,}25$.

    Não se pode dividir por uma expressão com incógnita: \(x\) pode ser zero, e a raiz \(x = 0\) é perdida. O correto é colocar o fator em evidência: \(x(4x - 9) = 0\), de onde \(x_1 = 0\) e \(x_2 = 2{,}25\). Verificação: \(4 \cdot 2{,}25^2 - 9 \cdot 2{,}25 = 20{,}25 - 20{,}25 = 0\).

  • Na equação $x^2 = 16$, escrevem apenas $x = 4$.

    O quadrado é 16 também para o número \(-4\). Deve-se escrever ambas as raízes: \(x = \pm 4\). É mais seguro resolver pela forma padrão \(x^2 - 16 = 0\), ou seja, \((x - 4)(x + 4) = 0\) — assim, ambos os fatores são vistos imediatamente.

  • Não verificar a condição $a \neq 0$ em equações com parâmetros: em $(m - 2)x^2 + 3x - 1 = 0$, calculam logo o discriminante.

    Quando \(m = 2\), o coeficiente principal torna-se zero e a equação vira linear \(3x - 1 = 0\) com a única raiz \(x = \dfrac{1}{3}\). O caso \(m = 2\) deve ser analisado separadamente, e a fórmula de Bhaskara aplicada apenas quando \(m \neq 2\).

Perguntas e respostas

O que é uma equação do segundo grau?

É uma equação da forma \(ax^2 + bx + c = 0\), onde \(a\), \(b\), \(c\) são números e \(a \neq 0\). A incógnita aparece elevada ao quadrado, por isso pode haver duas, uma ou nenhuma raiz.

Como é a forma padrão da equação do segundo grau?

A forma padrão (geral) é \(ax^2 + bx + c = 0\): todos os termos estão à esquerda em ordem decrescente de grau, com zero à direita. Qualquer equação do segundo grau deve ser reduzida a essa forma antes de calcular o discriminante.

Como encontrar o discriminante?

Pela fórmula \(D = b^2 - 4ac\), substituindo os coeficientes junto com seus sinais. Por exemplo, para \(x^2 + 3x - 10 = 0\), obtemos \(D = 3^2 - 4 \cdot 1 \cdot (-10) = 9 + 40 = 49\), e as raízes são \(\dfrac{-3 \pm 7}{2}\), ou seja, 2 e \(-5\).

Qual é a fórmula de Bhaskara?

\(x_{1,2} = \dfrac{-b \pm \sqrt{b^2 - 4ac}}{2a}\), ou mais brevemente \(x_{1,2} = \dfrac{-b \pm \sqrt{D}}{2a}\). Ela é aplicada quando \(D \ge 0\); no denominador temos \(2a\), não apenas 2.

Quantas raízes pode ter uma equação do segundo grau?

No máximo duas. Se \(D > 0\), há duas raízes; se \(D = 0\), uma (raiz dupla); se \(D < 0\), não há raízes reais.

O que é uma equação do segundo grau incompleta?

É uma equação onde \(b = 0\), \(c = 0\) ou ambos: \(ax^2 + c = 0\), \(ax^2 + bx = 0\), \(ax^2 = 0\). Todas as três são resolvidas sem o discriminante — movendo o termo ou colocando \(x\) em evidência.

Como resolver equações do segundo grau sem o discriminante?

Existem três caminhos: tentativa por Girard para equações reduzidas, fatoração e completar quadrados. A tentativa é a mais rápida quando as raízes são números inteiros pequenos.

O que fazer se o discriminante for negativo?

Escrever que não há raízes reais e encerrar a resolução. Um discriminante negativo é uma resposta válida: o gráfico da parábola correspondente não cruza o eixo \(x\). Raízes nesse caso só existem no conjunto dos números complexos, que são estudados posteriormente.

Como verificar as raízes encontradas?

Substituir cada raiz na equação original — deve resultar em uma igualdade verdadeira. Para a equação reduzida, há uma verificação rápida pelas relações de Girard: a soma das raízes é \(-p\) e o produto é \(q\).

Equação quadrática e equação do segundo grau são a mesma coisa?

Sim, são dois nomes para o mesmo objeto \(ax^2 + bx + c = 0\). Não confunda com a função quadrática \(y = ax^2 + bx + c\): as raízes da equação são justamente as abscissas dos pontos onde o gráfico da função cruza o eixo \(x\).

Em que ano se estuda equações do segundo grau?

No 9º ano do Ensino Fundamental: primeiro equações incompletas, depois discriminante, fórmula de Bhaskara e relações de Girard. Mais adiante, o tema aparece em funções quadráticas, inequações e problemas de exames.

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